Às vezes, as minhas dúvidas são as suas também!

birra: não há show sem plateia

“Você está me deixando doida! Eu não estou aguentando!” “E eu não gosto mais de você! desisto de você, não quero mais saber!!!”. A primeira frase foi dita aos berros, por mim. A segunda, também aos berros, foi dita pelo meu filho, de 4 anos, que a essa altura já estaja jogado no chão, puxando o uniforme, cuspoindo no chão e berrando mais que tudo na vida. “E eu não quero que você seja a minha mãe!”, concluiu. “Ótimo! vou desaparecer e você será uma criança sem mãe!!”, revidei, perdendo a razão, batendo a porta do banheiro, entrando no chuveiro e me esvaindo  em lágrimas. Que tipo de mãe sou eu que não consegue lidar com a birra do filho por conta de um desenho animado? Por que quando ele grita eu tenho que falar mais alto para mostrar autoridade? Por que a minha vontade é lavar a boca dele com sabão até fazer bolhas e deixá-lo de gastigo sem game por uns 50 dias?

A única coisa que consegui pensar nessa manhã, foi: ufa, tenho terapia à tarde. Prepare-se dr. Gilberto. E chorei, chorei, chorei. Chorei rapidamente, pois já passava da nossa hora de sair de casa. Quando abri a porta do banheiro, molhada e descabelada, Gabriel olhou pra mim e falou: “fiz bobagem de novo, né?! Desculpa… eu não vou fazer mais isso.” O rímel foi para as cucuias e lá veio o choro novamente. Meu pai, que estava aqui em SP de passagem presenciou o final da birra, olhou pra Gabriel, tentou dar uma lição de moral. Tentou dizer que não era legal e tal. E ele, aparentemente se arrependeu. Mas sei que tudo isso pode acontecer novamente na volta da escola. 4 anos é o auge das birras, certo?

Cheguei no trabalho disposta a ler todas as teorias sobre malcriação de criança, a escrever uma “especial birras” no blog e a marcar sessão dupla na terapia. E estava me sentindo mal, levemente rouca (tal foi o tom da gritaria) e com uma dor de cabeça insuportável. Daí li o post de Glau no @BlogCoisadeMae que me levou ao  post de @priperlatti, que me levou aos prantos, mais uma vez. Um abraço, um tom a menos na voz e uma paciência de monge. É SÓ isso que eu preciso? Respirar, contar a até 10 e tentar acalamar a situação. Mostrar para Gabriel que eu estou ali, que ele pode confiar, que eu entendo a situação dele e que vamos resolver juntos o problema. Parar com os discursos e lições de moral, no auge do pega pra capar, parar de expor minhas teorias de que criança malcriada não tem amigos, que as pessoas ficarão bravas com ele e blablablá. E parar de ser tão dura, de pegá-lo no colo às vezes (nas outras sentar no chão e acomodá-lo em meus braços, porque a coluna tá pedindo socorro), simplesmente para dizer que não é hora de colo.

Um abraço. Um carinho. Alguém para ouvir suas queixas. Acho que é isso que meu filho (alias, qualquer um) precisa nos rompantes dele. E que eu, faladeira que sou, pare para ecutá-lo, antes de  disparar um milhão de palavras -que ele não dá a mínima, mas que dão a deixa para mais um zilhão de ofensas vindas do pequeno. Porque assim a coisa toma um proporção tão grande que eu não sei como não sai um quebra pau ali de casa (calma, sou mãe acima de tudo e não tolero violência). Ler o post das duas amigas me fez refletir muito sobre minha relação com Gabriel. Tudo que eu mais queria na vida era ser mãe, era ter um filho e poder compartilhar todas as alegrias. E escutar um eu não te amo mais, por mais que seja da boca pra fora, não estava no script. Não quero passar por isso de novo. Ok, pode ser que eu não incorpore a mãe-monge-budista de uma hora para outra. Mas só de saber que a birra existe na casa ao lado e que um simples abraço, atenção e conversa podem ajudar muito, eu resolvi que de agora em diante não entrarei na discussão, pelo menos não darei ibope para a gritaria. Pois como disseram muito bem as duas mães (uma de dois e outra de duas, logo, mais experientes do que eu) “não há show sem plateia.”

obrigada meninas! vocês ajudarama salvar o meu dia!

 

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13 Respostas »

  1. Nanna, querida.

    Encontrei esse post sem querer, pois vim aqui dar uma sapeada no seu blog para ver o texto da ação #100coisas. Que grata surpresa ao ler isso. Confesso que me arrepiei inteira, me emocionei e chorei lendo seu relato tão sincero.

    Quantas de nós não perdemos a estribeira? Quem de nós também não tem seus bloqueios e rejeições? Quem de nós não sucumbe ao cansaço na educação dos filhos?

    Eu também já me peguei inúmeras vezes na situação que você descreveu com Gabriel hoje. E também senti a mesma culpa e dor de cabeça.

    E que bom que a gente sempre tromba pelo caminho pessoas que podem nos ajudar a fazer da maternidade uma prática de mais amor.

    Estou extremamente emocionada por ter lido esse seu relato… e quem tem que lhe agradecer sou eu, por me permitir cumprir a minha missão, que é falar de uma maternidade mais cheia de amor para mais e mais mães por aí.

    Obrigada, obrigada, obrigada.

    Um grande beijo em você e em Gabriel ;)

    • Glau, que bom ler esse seu comentário. ontem fiquei me sentindo péssima, mas ver que outras pessoas, assim como eu, erram tentando acertar, me mostrou que estou no caminho certo. E ontem pratiquei o meu primeiro abraço por conta de uma malcriação boba (ele simplesmente agor aque que eu tenha um carro com TV no banco de trás. só isso, rsrs). não gritei, não surtei. Só expliquei e deixei ele pensando. e a descupa veio espontaneamente, do nada. foi muiuto bom isso
      É muito importnate poder compartilhar não só os nossos acertos e coisas legais, mas também os problemas, as pirraças, as malcriações, as doenças… porque a gente consegue ver que em toda casa o processo é o mesmo! E que a gente está contribuindo para que nossos filhos cresçam pessoas melhores.
      obrigada e beijos. pra vc e pros dois lindos!!!

  2. Que bom saber que outras mães, ou melhor, PESSOAS (diga-se: gente, humana, que falha e fica cheia de culpas) fazem o mesmo que eu algumas vezes, e se sentem tão mal em seguida…não sei se algum dia vou conseguir esse autocontrole (estou tentando), mas tenho certeza absoluta que o “deixar rolar” é sempre melhor que o grito! Sinta-se abraçada (às vezes precisamos mais que eles…) Bj

    • a gente se cobra muito, né?!?! que fazer tudo perfeitinho, que ser a mãe, muler, amiga, poessoa perfeita! mas também temos nossos rompantes e crises. e que bom ver que existem mais pessoas assim! rsrs a culpa existe. Mas acho que a gente erra tentando acertar. E nada como reve ros conceitos e mudar, né?!
      obrigada pelo abraço!!! um grande e bem apertado pra vc tbm!!!!

  3. É verdade Diogo esta quase com 5 anos e eu ja vivi muito estes momentos, não só por causa de um desenho, mas por não querer tomar banho, arrumar os brinquedos ou até mesmo comer toda a comida. Já me peguei chorando por não saber lidar com tudo isso e também por culpa de ver meu pequeno grande homem aos soluços de tanto nervoso.
    Gente é só uma criança, o mundo já esta cheio de tantas coisas ruins e problemas que será inevitável fazer com que ele fique nervoso daqui as uns anos, vamos poupa-los enquanto ainda podemos. Por que não sentar e conversar ou até mesmo ouvir e respeitar seus momentos.
    Nanna adoro ler seus post´s.
    bj

    • obrigada!!!!!
      vc está com um de 5 e em breve terá outra aprendendo as manhas e birras…. eu ainda estou tomando coragem pra isso. mas com certeza precisamos desacelerar e entender que eles sao APENAS crianças. vamos tentar deixá-los longe de amarguras e estresse, pelo menos por enquanto. é como vc disse, a vida adulta é muito mais complicada! beijos

  4. Olá! Acompanho o blog Coisa de Mãe e por meio dele cheguei até aqui. E adorei! O seu post reflete bem a situação da maioria (ou todas?) as mães que passam por essa situação. A minha filha tem apenas 1 ano e 7 meses e já me desafia, faz pirraça e berra quando quer (ou não quer) algo. Acho q ela já percebeu que isso me deixa louca e perdida. Vc está certíssima em relação ao desejo de mudar a sua forma de agir. Quem sabe se mudarmos a nossa postura eles mudam a deles? Boa sorte aí! bjs Camila Vaz

  5. Ahhh, eu adorei os comentarios sobre birras! Apesar de nao ser mãe, como babá isso me orienta a lidar com as birras da criançada q cuido com muito carinho. Mas é verdade qdo dizem q tem horas q da vontade de sair correndo, mediante a uma birra! E se impormos autoridade, logo vem o sentimento de culpa. Eu costumo olhar no olho da criança e tento explicar pq ela esta errada ou, pq ela esta agindo daquela forma. Claro, nem sempre consigo. Entao, se a birra continua, digo q nso estou de acordo e me afasto triste, para q a criança perceba meu descontentamento. Muitas vezes, a criança se arrepende e volta mais calma. Mas não é facil! Bjos.

    • vc é mais várias vezes!!!! e isso deve ser super dificil. afinal a sua autoridade vai até certo ponto, não é mesmo?
      Gostei muito do seu comentário, Marisa, porque a gente esquece que a birra não é só com a mãe, mas com pessoas que estão por perto e que de alguma forma têm carinho pela criança (e vice-versa). Esses dia sa auxiliar da escola, que cuida do meu filho, veio cheia de dedos falar com a gente, pois teve se que dura e firme para ele colocar o casaco. e ele fazendo teimosia. Acho que nós, mães, temos de dar esse “alvará”, para as pessoa sque cuidam de nossos filhos poderem agir como agiríamos num caso como esse.
      isso é educar, não acha?
      beijos

  6. Eu cheguei aqui por intermédio do blog da Glau… Como eu precisava ler sobre essas coisas… Minha filha tem 1 ano e 5 meses e está começando suas birras… E a mãe aqui perde as estribeiras e depois se arrepende… Depois de ler no mãe de duas, coisa de mãe e aqui quero começar a saber lidar com minhas frustrações e poder acalentar minha filha… Adorei..
    Você disse uma coisa que descreve algumas, se não todas, mães que gritam mais alto para mostrar autoridade… É bem isso mesmo…

    Beijocas
    Carol

    • Carol, eu resolvi escrever esse post após ler o texto de Glau. Porque é isso, a gente se sente a pior pessoa do mundo, não é mesmo? Nossa meu coração fica em frangalhos quando brigo ou sou dura com meu filho. vem uma culpa do tamanho do mundo. Mas a gente tem que se impor. temos que dar limites e às vezes sermos duras mesmo. mas sempre com muito amor e carinho. Vamos precisar muito praticar a terapia da mãe-monge. ontem a minha solução foi entrar debaixo da água fria e chorar. Mas acho que vou melhorar… e saber me controlar, me acalmar, não gritar e reverter a situação.
      acompanhe o Dica de Mãe também. É sempre bom trocarmos experiência!
      beijos

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