TIP TIP – Dica de Mãe

TIP

Foi apenas em 1900 que as mulheres puderam participar dos Jogos Olímpicos. Em 1920, nos Jogos da Antuérpia, o número de inscritas aumentou para 63. Na Rio 2016, que aconteceu aqui no Brasil, tivemos nada menos que 209 mulheres disputando medalhas. E elas corresponderam a 45% dos atletas participantes, todas com chance de medalha. Em termos quantitativos, esse número representa uma pequena parcela das mulheres brasileiras praticantes de esporte. Mas, para uma competição olímpica, esse é um número histórico.

Quadro de medalhas das mulheres brasileiras na Rio 2016:

 

Judô: Rafaela Silva
Natação: Poliana Okimoto
Vela: Martine Grael
Vela: Kahena Kunze
Vôlei de Praia: Ághata Bednarczuk
Vôlei de Praia: Bárbara Seixas

Mas não foi apenas nos números que as mulheres se destacaram. Esses Jogos Olímpicos foram delas. E para elas. Eu estive no Parque Olímpico e assisti a alguns jogos com grande participação feminina. Elas são mesmo incríveis. Nada de sexo frágil nem descontrole emocional. O que eu vi foi garra, luta e força, muita força para mostrar que é preciso igualdade de gênero em todos os campos da vida. E vi força também para lutar contra as manifestações de violência e machismo que ainda aparecem pelas redes sociais, sempre escondidas atrás de perfis (verdadeiros ou não) que atacam as mulheres de forma desumana e hostil. O que nos salva (e nos faz acreditar) é que essas manifestações sexistas são rapidamente registradas e denunciadas. Uma vantagem desse nosso mundo virtual.

A imprensa sexista

Especialistas da Universidade de Cambridge analisaram cerca de 160 milhões de palavras usadas na cobertura jornalística durante a Rio 2016, e é nítida a diferença de informações e de tratamento quando estamos falando de uma atleta do sexo feminino.

Eu mesma tive de dar muitas justificativas para conseguir a minha credencial para a cobertura dos jogos. Afinal a minha pauta sempre foi a participação e a performance das atletas femininas durante os Jogos Olímpicos. A situação se resolveu quando o editor de conteúdo do Portal R7 enviou uma declaração.

O que era para ser uma entrevista em resposta à eliminação da nadadora virou um desabafo de tudo que estava acontecendo com ela nos últimos dias. Joanna Maranhão foi vítima de ofensas baixas e desnecessárias de internautas e haters que desejaram, inclusive, que ela fosse estuprada novamente. “O Brasil é um país machista, um país racista, um país homofóbico, um país xenofóbico. Não estou generalizando, mas essas pessoas existem, infelizmente. E aí, quando estão atrás de um computador, elas se acham no direito de fazer essas coisas.”

A imprensa sexista

Rafaela Silva

Ela seria mais uma atleta do nosso país abraçada por uma associação que incentiva o esporte. Ela seria mais uma menina que conseguiu viver numa comunidade, mas sem se contaminar com as coisas ruins que lá acontecem. Ela foi mais uma mulher que, por ser desclassificada nos jogos de Londres, foi vítima de preconceito e humilhações. Foi chamada de macaca, foi verbalmente ofendida e pensou em desistir (quem nunca?).

Conheci uma família no Parque Olímpico que tem uma filha competindo na mesma categoria que Rafaela. “Vocês podem não saber muito dela. Mas quem está no meio, vivendo o dia a dia de Rafaela, sabia que ela conquistaria uma medalha. Aquele olhar não é de gente marrenta, aquele olhar é de determinação. Se tem uma pessoa determinada é ela”, disse o pai que, talvez, desejasse que a sua filha (provavelmente com uma vida muito mais estável e confortável) tivesse um pouco da garra de Rafaela.

Caiu na rede

mulheres no esporte3

De olho na tendenciosa cobertura sexista da Rio 2016, os espectadores não deixaram barato. Uma internauta mostrou de forma bem clara a percepção fotográfica do jornalista homem e da mulher no mesmo jogo, uma partida de vôlei de praia feminina. 

Sentimento das meninas com relação ao esporte

Participação feminina nas olimpíadas

Brasileiras em Jogos Olímpicos

Aposte na força delas

E como essa cultura machista e sexista no esporte pode mudar? Eu diria que depende do quanto estamos dispostos a insistir na mudança dessa próxima geração que vem por aí. Porque a realidade ainda é bem dura. Um dado recente, divulgado no estudo encomendado pela Always, mostrou que mais de 50% das meninas entre 17 e 24 anos perdem a autoconfiança durante a puberdade, afetando suas relações com os esportes e com a autoestima. Quantas vezes falamos que futebol não é coisa para meninas, que rúgbi não é coisa para meninas, que menina é delicadinha e tem de fazer balé? Quantas vezes vezes deixamos de incentivar a coragem e a garra de uma "possível" Rafaela Silva? O vídeo a seguir representa muito isso: o quanto menosprezamos e desvalorizamos as nossas adolescentes e a séria consequência que isso pode trazer para o futuro delas.

“A mulher precisa adquirir sua independência emocional e acreditar mais no seu senso de realização. Precisa parar de se culpar e entender que a responsabilidade dela é a mesma que a do outro e que as obrigações devem ser compartilhadas”, Andrea Deis Gestora de carreiras.

Muitas meninas são desencorajadas a treinar ou a praticar alguma atividade física durante a puberdade.

Justamente nessa fase, em que elas precisam ter mais autoconfiança. Quantas vezes você já falou que a pessoa faz algo tipo menina? Já parou para pensar? 

Quer fazer diferente?

Tipo Menina: que mal tem isso?

Fontes: New York Times; Comitê Olímpico Brasileiro (COB); Comitê Olímpico Internacional (COI); Forbes; ESPN; O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Andrea Deis (Gestora Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas).

Espero que tenha gostado desta TIP. Abaixo, outros assuntos superinteressantes.