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Intoxicação: saiba como evitar

Eu já contei aqui do susto que tomei com Rafael quando ele abriu e comeu um comprimido tarja preta. É desesperador e a gente não sabe o que fazer. Isso porque o espírito explorador e destemido dessas crianças faz com que eles se exponham a muitos riscos. E deixe a gente doida!

As intoxicações por produtos tóxicos em crianças infelizmente continuam sendo frequentes, principalmente em crianças pequenas que tem o hábito de levar tudo à boca. Segundo dados do Ministério da Saúde, os acidentes domésticos -como a intoxicação- ainda são a principal causa de morte de crianças de até 9 anos no Brasil.

A grande maioria dos casos de intoxicação ocorre em crianças menores de 5 anos e quase sempre em casa. Geralmente, as intoxicações nessa idade são acidentais e passíveis de prevenção, causadas por situações facilitadoras (a gente que vacila!), do momento de vida da criança e das características da fase de desenvolvimento que ela se encontra e da nossa falta de cuidado na prevenção. Após essa fase dos 5 anos,  há uma diminuição dos casos, que tornam a aumentar na adolescência, sendo nessa fase muitas vezes de caráter intencional.

O que causa esse tipo de acidente e como eles ocorrem?

As crianças podem se intoxicar por várias substâncias, sendo os medicamentos os mais frequentes, e mesmo os que não são de uso controlado podem ser muito perigosos para a saúde dos pequenos. Além de medicamentos, produtos de uso domiciliar como os de limpeza, os inseticidas, raticidas, e os produtos agrícolas podem ser importantes vilões nesse mundo de descobertas. Algumas plantas quando ingeridas também representam perigo.

Medicamentos que merecem atenção:

  • antitérmicos,
  • descongestionantes nasais,
  • antialérgicos,
  • antigripais,
  • sedativos,
  • antidepressivos,
  • medicamentos para asma, diabetes e hipertensão arterial.

A ingestão por uma criança de um medicamento usado habitualmente por um adulto para febre ou para desobstruir o nariz pode trazer sérias consequências.

Os produtos domésticos, principalmente, podem provocar intoxicações por ingestão, inalação e contato com pele e olhos.  Os mais perigosos são a soda cáustica e o hipoclorito de sódio manipulado (não industrial), pelo seu poder altamente corrosivo e não devem ser adquiridos ou mantidos em casa. Os solventes podem ser inalados e provocar danos sérios ao sistema respiratório da criança. Todos esses produtos devem ser armazenados em local fora do alcance das crianças.

Outros produtos domésticos como álcool, esmalte de unha, desodorantes, perfumes, antisséptico bucal, acetona, entre outros, são comuns nos domicílios e devem ser mantidos em locas inacessíveis às crianças.

Entre os raticidas, os dicumarínicos como o “chumbinho”, provocam sangramentos e podem ser fatais.  Cuidado com plantas em sua residência ou em outros locais acessíveis à criança, com especial atenção para a planta chamada “comigo ninguém pode”, que provoca lesões em lábio, boca e esôfago com dor e inchaço.

Recentemente muitos casos graves, inclusive com óbitos, têm sido relatados devido à ingestão de pequenas baterias em forma de disco (como aquelas de relógio), pela alta chance de levar à sangramentos e perfurações. Essas baterias são muito comuns em brinquedos eletrônicos. Pela geração de corrente elétrica local, essas lesões podem ser muito rápidas e a bateria, quando ingerida, tem que ser retirada o mais rapidamente possível (geralmente por procedimentos endoscópicos).

A importância da prevenção!

A redução das mortes e lesões por intoxicações está diretamente relacionada às medidas preventivas e educativas como, por exemplo, a obrigatoriedade de embalagens de medicamentos com tampas invioláveis, constantes campanhas de orientação através da mídia e criação de centros de controle de intoxicações.

Uma família atenta zela pela saúde dos seus pequenos e impede o acesso da criança a locais de risco, como lavanderias ou cozinhas, sem adequada supervisão. É muito importante que você mantenha todas essas substâncias longe do alcance da criança, nunca armazenando produtos potencialmente tóxicos em outros frascos como garrafas de suco ou refrigerantes, pois podem servir de atrativo para as crianças bebe-los.

Segundo o site Criança Segura, pelo menos 90% dessas lesões poderiam ser evitadas com atitudes de prevenção!

Veja as orientações da ong para a Prevenção de Acidentes.

Fonte: o texto de hoje tem participação de Marco Aurélio Safadi, professor de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e  Coordenador da Equipe de Infectologia Pediátrica do Hospital Sabará. Conheça a Nuk

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1 comentário

Categories: SaúdeTags: acidente doméstico, casa, infância, prenvenção

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Comentários

  1. Nádya Argolo

    em

    Mudar é preciso e enriquecedor. Abrir novas portas e ver o mundo com outros olhos. Mudar engrandece e sugere novos caminhos. É salutar em um tempo que avança muito rápido e modifica conceitos.Tudo evolui e é bom! É bonita essa coragem que vem acompanhada de uma força motriz que impulsiona o novo. Parabéns!

    Responder

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