A representação a criança é o choro. É assim que ela se manifesta. Ao mesmo tempo, junto com o filho, nasce uma insegurança e a necessidade de fazer tudo por ele. E como, então, eu vou deixar essa criança tão miudinha berrando no berço, meu Deus?
Quem já se viu nesse dilema da vida levanta a mão! “Até o terceiro ou quarto mês, ainda não tem manha nem manipulação por parte do bebê. Pode pegar no colo, pode ir de um braço pro outro. Depois disso, é impressionante, parece que liga o botão da manipulação. E ele vai manipular os pais da forma que conseguir. É a partir dese momento que é preciso estipular a rotina da forma como a família quer”, explica o pediatra Hany Simon Jr. Isso porque o bebê ainda reage a reflexos, ou seja, suga por reflexo, chora por reflexo, dorme por reflexo. E é após o terceiro mês que isso começa a mudar, diz o especialista com mais de 20 anos de experiência em pediatria.
Segundo Hany, que conversou com a gente hoje de manhã no evento da Johnson’s Baby, a rotina tem que ser estabelecida após o terceiro mês do bebê e deve ser extremamente simples. “Costumo brincar com as mães que comentam que o filho só dorme no carro. Mas peraí, alguém levou ele ao carro, certo? Ele não pediu para dar um rolê. Esse é o exemplo básico de como a rotina é condicionada e como o bebê se costuma com isso.”
Ou seja, se você der três rodopios pra esquerda e três pra direita, colega, se prepare: ele vai se condicionar a isso. “A rotina pode ter carinho, mas precisa ter berço. É preciso criar mecanismos para que a criança durma de verdade.”
E aí vem o médico com o cala-te boca que todas nós precisamos: o problema é que a mãe precisa ter pulso. Porque ele aguenta chorar muito mais do que a mãe consegue escutar. E daí vem o colo!
É nessa fase, inclusive, que começam os limites, explica a psicanalista e autora do livro “Carta ao Filho”, Betty Milan. “É dificil a mãe dar limites, eu sei. Porque ficar com o filho no colo é bom. Todo mundo quer pegar o bebezinho no colo. Mas isso implica no limite. É dificil para a mãe equilibrar o lado do dever e o lado do prazer. Muito se fala dos limites e pouco se fala dos prazeres”, diz.
Além disso, diz a psicanalista, é preciso entender que cada mãe é uma mãe e cada filho se comporta de forma diferente, inclusive quando são gerados pelos mesmos pais. “Cada criança é uma e é preciso observá-la, além de contar com a sua intuição como mãe. Desde que você tenha consciência de que é capaz de por e impor limites. Observe e escute a criança, é a partir daí que será feita a interpretação do comportamento dela, diz Betty.
Dicas para uma rotina de sono saudável:
– Crie uma rotina simples e que inclua o berco.
– Não complique. Lembre-se que você viaja e tira férias, recebe pessoas em casa e tem uma vida social. Causar um ritual tailandês para cada noite de sono pode ter consequências no futuro.
– Ligue a luz, dê uma voltinha com o bebê, faça um carinho. Depois disso coloque ele no lugar de dormir. E deixe ele se acostumar com isso.
– Converse com seu bebê. Independente da idade dele, converse, explique. Pode parecer que não, mas eles entendem.
– Lembre-se que o bebê consegue chorar mais do que nós mães, conseguimos escutá-los.
Possíveis prejuízos médicos ao acordar o filho durante a noite:
– Se o filho acorda na madrugada numa fase da vida em que isso não é mais necessario, ele terá impactos, talvez não imediatos, mas terá.
– Se o despertar incluir a mamada (o que em 90% inclui, mesmo que ele não tenha acordado para isso), o bebê vai mamar. Afinal, é a pessoa mais importante do mundo oferecendo alimento. E ele vai aceitar. Mas, muitas vezes, esse bebê quer carinho, quer amor, quer um denguinho. O ganho, naquele momento, é o afetivo.
– Não interprete o acordar. Deixe rolar. Perceba seu filho. Não pré determine que o despertar é para comer, para receber chupeta ou para qualquer outra coisa. Preste atenção no seu filho, pois ele dará sinais do que quer.
– Interromper o sono na madrugada, no momento em que o organismo está produzindo o hormônio do crescimento, inibe este processo.
– Dar alimento a noite, quando não é necessário, é fornecer uma caloria no meio da madrugada que não está prevista na dieta da çriança. Isso aumenta as chancer de se criar uma criança gordinha.
– Ninguém alimenta o filho na madrugada e vai escovar os dentes da çriança. Isso favorece o aparecimento da Cárie de Mamadeira.
– Mamar deitado aumenta as chances de infecções no ouvido.
– O despertar da madrugada, sem a real necessidade, possibilita problemas comportamentais.
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Por mais que a gente saiba sempre vale aprender mais!