Como os meninos têm problemas respiratórios, eu sempre fico atenta ao sono deles. Gabriel dormia de boca aberta e roncava muito. Esse foi um dos primeiro sintomas que me chamou atenção para avaliarmos mais de perto o tamanho da adenóide e as inflamações na garganta. Porque o que a gente espera é sempre um sono tranquilo e uma respiração normal. Entretanto, são frequentes os casos de crianças que roncam desde os primeiros anos de vida, e isso traz extrema preocupação pra gente.
Vocês sabiam que o nariz exerce um papel importante no processo respiratório e é responsável pelo aquecimento e pela umidificação do ar inspirado? Sendo assim, qualquer alteração nasal que dificulte e obstrua a respiração pode levar ao ronco, além de outros sintomas.
O ronco pode ser o menor dos problemas!
As crianças que não conseguem respirar bem pelo nariz são chamados de respiradores orais ou bucais. Trata-se de uma situação anormal, que pode acarretar muitos problemas para a criança. Em geral, ela não dorme bem, pode ter alterações no olfato, comprometendo o apetite, dor de cabeça, dificuldades para mastigar e até mesmo para engolir determinados alimentos, como pedaços de carne, etc. Além disso, em situações mais graves, pode levar a interrupções prolongadas da respiração durante o sono, a chamada apneia do sono, um sinal de alerta para as mamães.
Estas alterações na respiração podem provocar uma série de consequências, trazendo repercussões que interferem no desenvolvimento adequado destas crianças. É comum observarmos entre elas problemas na escola, como déficit de atenção e dificuldade de concentração, sonolência durante o dia, irritabilidade, perda do apetite, dificuldades alimentares, dificuldades de controle de urina durante a noite e alterações na arcada dentária, na face e na fala.
Eu via muito isso no Gabriel. No nosso caso, acabamos retirando as amígdalas e adenóide e a professora nos chamou, após o retorno dele à escola, para ressalta a melhora na concentração e na disposição do Gabi.
Quais são os fatores que determinam que o pequeno seja um respirador bucal?
Dentre as possíveis causas da obstrução nasal, a rinite alérgica é uma das mais comuns. Nestes casos, a criança encontra-se frequentemente com o nariz escorrendo, coçando, entupido e com espirros seguidos, sem a presença de febre. Normalmente esses sintomas podem piorar durante a noite ou pela manhã e são exacerbados por poeira, fumaça, cheiros fortes e infecções respiratórias, como os resfriados. A presença de outros familiares com alergias como rinite e asma é frequente.
Além da rinite alérgica, a obstrução nasal por aumento das adenoides (popular carne esponjosa) e amígdalas também é uma causa muito frequente desses sintomas. A hipertrofia adeno amigdaliana em conjunto tem forte associação com a apneia do sono. Foi o que aconteceu com o nosso filhote…
Como é feito o tratamento destes casos?
Uma avaliação médica cuidadosa é de fundamental importância para se identificar o fator causal e para proceder o tratamento adequado.
Podemos, algumas vezes, encontrar mais de uma causa. Muitas dessas situações são de resolução clínica, sem necessidade de tratamentos cirúrgicos, que ficam reservados a casos específicos. É importante um diagnóstico preciso para garantir o sucesso do tratamento. Quando necessário, o pediatra saberá indicar a necessidade de realizar exames e avaliação especializada com o otorrinolaringologista ou outros profissionais. O pediatra dos meninos é pneumopediatra, por conta dos probleminhas que eles têm. E, em conjunto, eles passam pelo otorrino, que é quem fez a cirurgia do mais velho e já observa o desenvolvimento respiratório do Rafinha.
Fonte: o texto de hoje tem participação de Marco Aurélio Safadi, professor de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Coordenador da Equipe de Infectologia Pediátrica do Hospital Sabará. Conheça a Nuk


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