Recebi o link dessa matéria de uma grande amiga, Maíra, mãe de Manuela. Depois de um ótimo sábado que passamos aqui em casa, as mães e suas crias, falando sobre tudo, inclusive sobre esses nossos “mini ditadores”. Hoje ela me escreve: “até brinco que a Manuela é uma pequena Ditadora, mas não é nada disso aqui não. Ela bem sabe quem manda e bem obedece!”
Aqui em casa é a mesma coisa. Ninguém aqui tem medo de grito e de escândalo. muito menos de birra e chantagem emocional. Já falei sobre como é difícil passar por isso no post “Não há show sem plateia”, em maio do ano passado. Birra é fogo. Muitas vezes a gente cede. Mas depois a conta vem. Li essa matéria, a enviada por Maíra, e me peguei lembrando dos quase três anos de Gabriel. É poca difícil essa. Mas ainda sou daquelas que guenta firme no “não pode ceder!”
Vejam o texto publicado na Folha de S. Paulo e me conte como é na casa. De quem é a última palavra?
A família está sob o governo das crianças, afirma pesquisadora
Texto de Juliana Vines
Theodoro tem dois anos e 11 meses e o apelido de “Theorremoto”, ganho às custas de muita birra. “Não muito orgulhosa disso”, a mãe, a estilista Marina Breithaupt, 32, diz que o menino manda nela, no pai e na irmã de 11 anos.
“Saímos quando ele quer, assistimos ao que ele gosta na TV. Ele quer tudo antes da irmã e decidiu que não dorme mais na cama dele, só na nossa”, conta a mãe.
A última do garoto é não querer ir à escola. “Já acorda dizendo que não vai. Num domingo, resolveu que queria ir”, diz Marina. “Sou rígida, mas acabo cedendo para evitar problemas. Ele tem personalidade dominadora.”Se ouvir um não, o menino “faz escândalo, vira um inferno”. A família deixou de ir a shopping porque Theo quer tudo que vê. E só vai a restaurante que tem parquinho: um dos pais brinca com ele enquanto o outro come.
Ele e uma geração inteira de pequenos ditadores, na explicação de Marcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da USP e autora do livro “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias” (Zagodoni, 144 págs., R$ 34).
“Vivemos uma ‘pedocracia'”, diz, dando nome ao fenômeno das famílias sob o governo das crianças. “Há 50 anos, elas não tinham querer. Agora, mandam.”
Segundo Neder, estamos no ápice da tirania infantil. “Muito se fala sobre declínio de poder paterno e ascensão do materno. Discordo. Quem ganhou poder nas últimas décadas foram os filhos”, diz.
A falta de limites é sinal da derrota dos pais, na visão dela. “A criança foi a grande vitoriosa do século 20.”
E não precisa ser mandão para manter o reinado. Mesmo sem espernear, os filhos têm as vontades atendidas e a rotina da casa organizada em função deles. “O adulto é um satélite em volta da criança”, diz Neder, que considerada urgente um esforço pela retomada do poder adulto. “Vamos pagar o preço de ver esses tiranos crescidos.”



Muito bom filha… Adorei as fotos de Gabi & Manu!
Beijos