Eu tenho visto muita criança com uma alimentação à base de frituras, guloseimas e alimentos ricos em sal (e confesso que lá em casa rola de vez em quando). E esse estilo de vida que a nossa molecada está seguindo abre uma enorme janela para as chamadas doenças de adultos na infância. Por mais que a gente se esforce para fazer o melhor por seus pequenos, acabamos cedendo às guloseimas e podemos até ser apoiadores deste estilo de vida nada saudável: quem nunca enfiou um pacote de qualquer coisa na lancheira do filho ou fingiu que não viu as três coxinhas abocanhadas na festinha infantil?
Tudo isso faz com que a gente dê uma oferta maior ter de sódio, gorduras e açúcares.
Ao mesmo tempo, as nossas crianças têm ao seu dispor opções muito atrativas de divertimento em programas de TV, games e computador, permanecendo horas e horas sem realizar atividade física e se esquecem até de beber água. Aqui em casa eu ensinei o hábito de beber água bem cedo, até Rafinha bebe mais de um litro de água por dia. Mas as atividades de preguiça… essas sim são um problema!
E quando junta comida porcaria com falta de exercício físico, temos a receita perfeita para doenças como a calculose renal, a obesidade, a hipertensão, entre outras.
Estima-se, que atualmente, as crianças ingerem duas a três vezes mais sódio do que deveriam.
( E o excesso de sódio, principalmente na falta de ingesta adequada de água, aumenta a eliminação de cálcio pelo rim, que é principal vilão na formação das pedras renais.)
Entendendo os cálculos renais:
Os cálculos renais são formações endurecidas e irregulares que se originam da precipitação de certas substâncias na urina como o cálcio, oxalato e o ácido úrico, de tamanho e formas variados, podem se localizar nos rins, bexiga ou ureteres.
é claro que apenas os alimentos cheios de sódio não traz a certeza de que uma pedra no rim vai aparecer. Até porque as crianças mais propensas são aquelas com parentes portadores de pedra no rim, principalmente parentes próximos como pais, avós, tios e irmãos. (e aqui a gente nunca teve, UFA!) Essas crianças têm três vezes mais propensão para desenvolver a litíase ou calculose renal.
E só quem já passou por isso, sabe o que significa dizer que a dor da cólica renal é bem parecida e intensa como as dores do parto. Imagine seu filho sofrendo com cólica renal!
E se os rins estão em constante funcionamento, com tudo indo muito bem, o risco dessas substâncias precipitarem e formarem uma pedra, é bem menor.
Por isso que a criança deve ingerir aproximadamente 30 mL/kg de líquidos por dia, dando preferência para a água e os sucos cítricos como de limão e laranja. Essas frutas contém o ácido cítrico, que é uma arma natural contra os cálculos, deixando de lado os sucos artificiais de saquinho ou de caixinha que além de não trazerem benefício nutricional, ainda são ricos em sódio.
ou seja, lá em casa é assim:
Rafael, com 14 quilos precisa de, pelo menos, 500 ml de água por dia.
Gabriel, com 24 quilos, precisa de pouco mais de 700 ml de água por dia!
E eles tomam bem mais que isso….
Preste atenção!
Existem alguns indícios que sugerem a presença de cálculos renais:
- Infecção urinária: tanto pode ser favorecida pela presença dos cálculos, como pode favorecê-los.
- Dor abdominal ou nas costas: as crianças menores tendem a apresentar uma dor mais difusa, enquanto as crianças maiores e adolescentes costumam apresentar a típica cólica renal como do adulto, com dores nas costas que seguem o trajeto da urina, migrando para a parte anterior, na região da bexiga.
- Sangue na urina: tecnicamente chamada de hematúria, pode ser observado na presença do cálculo ou não. Mas se a criança apresentar dor abdominal acompanhada de hematúria visível a olho nu ou ao microscópio, provavelmente o cálculo deve estar por lá.
Como se faz o diagnóstico do cálculo renal?
O diagnóstico do cálculo renal se faz através dos exames de imagem e a atual facilidade de realizar ultrassonografia diante de uma criança com queixa de dor abdominal, com características que sugiram litíase renal, tem identificado com maior frequência a presença dos cálculos.
Além disso, é legal evitar:
embutidos
salgadinhos
refrigerantes
condimentos industrializados (ketchup, mostarda e temperos prontos)
Mas não é apenas a alimentação que tem que ser modificada. Manter uma atividade física regular também é importante para a prevenção da calculose renal. Conscientizar a criança a ter bons hábitos desde cedo, irá favorecer o convívio menos frequentes com os cálculos.
E se algum sintoma aparecer, pelamorrr, gente! Corre pro pediatra! Ele saberá tomar as medidas iniciais e encaminhar ao nefrologista para um tratamento preventivo.
Fonte: o texto de hoje tem participação de Marco Aurélio Safadi, professor de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Coordenador da Equipe de Infectologia Pediátrica do Hospital Sabará. Conheça a Nuk


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